Mostrando postagens com marcador Saudosas Ideias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saudosas Ideias. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Flor do Grão-Pará

Flor do Grão-Pará é uma música do Chico Sena que é como se fosse um hino a cidade de Belém que hoje inteira mais um ano, 395, rumo aos 400. Caramba, muita coisa precisa melhorar, Belém tá suja, muito lixo nas ruas e praças, além das poluições visual e sonora, que imperam na cidade.
Ainda assim, Belém é uma das cidades mais aconchegantes do Brasil, tem uma atmosfera mágica que paira, um semblante imagético de sentir. Então, voltando ao Chico Sena... deixou-nos uma pérola para ouvirmos todo 12 de janeiro, aqui na voz do Walter Bandeira, ambos se foram, partiram, mas estão entre nós, no Ver-O-Peso, no bar do parque, na praça da República, subindo a Presidente Vargas... viva eles, viva Belém do Pará!




Abaixo, podemos ouvir a música com seu criador, vale a pena:

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Arte de Ouvir


Certa vez fiquei responsável de fazer uma dinâmica com os colegas de trabalho. Na época achei apropriado a leitura de um texto reservando um espaço para uma breve bate-papo, bem informal. beleza, aconteceu como planejado, porém durante a leitura do texto me surpreendi quando vi algumas pessoas chorando... caramba - pensei eu - o texto mexeu com as pessoas, mexeu comigo também à primeira vez que o li. Na conclusão da vivência com os colegas pedi para eles fecharem os olhos e toquei no clarinete "Meditação" do Tom Jobim, que recomendo ouvirem depois da leitura. Então como agora estamos concluindo um ciclo e começando outro, nada melhor que uma reflexão, uma meditação. Então ouçam Rubem Alves:


A Arte de Ouvir

De todos os sentidos, o mais importante para a aprendizagem do amor, do viver juntos e da cidadania é a audição. Disse o escritor sagrado: “No princípio era o Verbo”. Eu acrescento: “Antes do Verbo era o silêncio.” É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir a palavra se meus ruídos interiores forem silenciados. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar. Quem fala muito não ouve. Sabem disso os poetas, esses seres de fala mínima. Eles falam, sim. Para ouvir as vozes do silêncio. Veja esse poema de Fernando Pessoa, dirigido a um poeta: “Cessa o teu canto! Cessa, que, enquanto o ouvi, ouvia uma outra voz como que vindo nos interstícios do brando encanto com que o teu canto vinha até nós. Ouvi-te e ouvia-a no mesmo tempo e diferentes, juntas a cantar. E a melodia que não havia se agora a lembro, faz-me chorar...” A magia do poema não está nas palavras do poeta. Está nos interstícios silenciosos que há entre as suas palavras. É nesse silêncio que se ouve a melodia que não havia. Aí a magia acontece: a melodia me faz chorar.

Não nos sentimos em casa no silêncio. Quando a conversa para por não haver o que dizer tratamos logo de falar qualquer coisa, para por um fim no silêncio. Vez por outra tenho vontade de escrever um ensaio sobre a psicologia dos elevadores. Ali estamos, nós dois, fechados naquele cubículo. Um diante do outro. Olhamos nos olhos um do outro? Ou olhamos para o chão? Nada temos a falar. Esse silêncio, é como se fosse uma ofensa. Aí falamos sobre o tempo. Mas nós dois bem sabemos que se trata de uma farsa para encher o tempo até que o elevador pare.

Os orientais entendem melhor do que nós. Se não me engano o nome do filme é “Aconteceu em Tóquio”. Duas velhinhas se visitavam. Por horas ficavam juntas, sem dizer uma única palavra. Nada diziam porque no seu silêncio morava um mundo. Faziam silêncio não por não ter nada a dizer, mas porque o que tinham a dizer não cabia em palavras. A filosofia ocidental é obcecada pela questão do Ser. A filosofia oriental, pela questão do Vazio, do Nada. É no Vazio da jarra que se colocam flores.

O aprendizado do ouvir não se encontra em nossos currículos. A prática educativa tradicional se inicia com a palavra do professor. A menininha, Andréa, voltava do seu primeiro dia na creche. “Como é a professora?”, sua mãe lhe perguntou. Ao que ela respondeu: “Ela grita...” Não bastava que a professora falasse. Ela gritava. Não me lembro de que minha primeira professora, Da. Clotilde, tivesse jamais gritado. Mas me lembro dos gritos esganiçados que vinham da sala ao lado. Um único grito enche o espaço de medo. Na escola a violência começa com estupros verbais.

Milan Kundera conta a estória de Tamina, uma garçonete. “Todo mundo gosta de Tamina. Porque ela sabe ouvir o que lhe contam. Mas será que ela ouve mesmo? Não sei... O que conta é que ela não interrompe a fala. Vocês sabem o que acontece quando duas pessoas falam. Uma fala e outra lhe corta a palavra: ‘é exatamente como eu, eu...’ e começa a falar de si até que a primeira consiga por sua vez cortar: ‘é exatamente como eu, eu...’Essa frase ‘é exatamente como eu...’ parece ser uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engodo. É uma revolta brutal contra uma violência brutal: um esforço para libertar o nosso ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário. Pois toda a vida do homem entre os seus semelhantes nada mais é do que um combate para se apossar do ouvido do outro...”

Será que era isso que acontecia na escola tradicional? O professor se apossando do ouvido do aluno ( pois não é essa a sua missão?), penetrando-o com a sua fala fálica e estuprando-o com a força da autoridade e a ameaça de castigos, sem se dar conta de que no ouvido silencioso do aluno há uma melodia que se toca. Talvez seja essa a razão porque há tantos cursos de oratória, procurados por políticos e executivos, mas não haja cursos de escutarória. Todo mundo quer falar. Ninguém quer ouvir.

Todo mundo quer ser escutado. (Como não há quem os escute, os adultos procuram um psicanalista, profissional pago do escutar.) Toda criança também quer ser escutada. Encontrei, na revista pedagógica italiana “Cem Mondialità” a sugestão de que, antes de se iniciarem as atividades de ensino e aprendizagem, os professores se dedicassem por semanas, talvez meses, a simplesmente ouvir as crianças. No silêncio das crianças há um programa de vida: sonhos. É dos sonhos que nasce a inteligência. A inteligência é a ferramenta que o corpo usa para transformar os seus sonhos em realidade. É preciso escutar as crianças para que a sua inteligência desabroche.

Sugiro então aos professores que, ao lado da sua justa preocupação com o falar claro, tenham também uma justa preocupação com o escutar claro. Amamos não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A escuta bonita é um bom colo para uma criança se assentar...

Rubem Alves


Meditem e comentem...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Não há quase nada a dizer. Nosso respeitoso silêncio.

A respeito do músico brasileiro Paulo Moura, prefiro quase nada dizer agora nesta hora.

Apenas dizer que tive o privilégio de vê-lo ao vivo, tocando em Belém e ter batido um papo de 3 minutos, tive a oportunidade de agrdecer por ele ter vindo em nossa cidade e disse que, quando pudesse, que voltasse. Agora agradeço por ele ter vindo e ter passado este tempo (77 anos) conosco. Dizer que ele será imortal em nossas lembranças - alegres lembranças - e dizer que quando der, volte.

Existem coisas inesquecíveis em Paulo Moura: o chapéu, o clarinete transparente BUFFET CRAMPON B12, o negro de olhos azuis, o saxofone também parceiro e especialmente sua gentileza. Que homem gentil. Pra mim é o que fica de mais especial deste homem.

Volte sempre que puder Paulo Moura. Esteja em Paz. Muito grato por tudo. Nosso respeitoso silêncio.

Deixo vocês com Paulo Moura e Yamandú Costa tocando "Remexendo" Radamés Gnatalli.

Para conhecer mais profundamente a obra de Paulo Moura, clique aqui.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Músicas para Viagem

Não importa para onde você vai. Se for pra muito longe ou muito perto, se é indo para o trabalho ou para casa. Se for indo para outra cidade, outro Estado ou Outro país... Não importa se você vai de ônibus, avião ou navio, ou balsa, trem, bicicleta ou a pés. Se você quer viajar e quer uma trilha sonora, eu preparei uma especial para você. É só baixar e curtir. E se você também vai ficar em casa, tenho certeza que ouvindo esta seleção, é inevitável viajar, pois não é redbull, mas te dá asas, asas pra imaginação, asas para viajar. Boa viagem Ao chapéu da viagem



sábado, 23 de janeiro de 2010

VER-O-PESO: ESPAÇO, LUGAR E COTIDIANO



"O espaço não é o meio (real ou lógico) onde se dispõem as coisas, mas o meio pelo qual a posição das coisas se torna possível." Merleau-Ponty

O Ver-O-Peso é um mercado às margens da baía do Guajará construído em 1625, seu nome faz jus às chamadas “Casas do ver-o-peso ” projetadas no Brasil, em 1614 com o objetivo de conferir o peso exato das mercadorias e cobrar os respectivos impostos para a coroa portuguesa. Em Belém, esse “espaço” inclui dois mercados: um de peixe e um de carne e uma feira a céu aberto considerada a maior da América Latina. Adistribui-se ao todo em 25 mil metros quadrados, incluindo um complexo arquitetônico e paisagístico formado construções históricas, como por exemplo a Ladeira do Castelo e seus casarões antigos, a praça do relógio, o forte do castelo, hoje forte do presépio, mercado de ferro, solar da beira além da riqueza humana, imaterial que é inestimável.

Precisamos antes, entender, mesmo que de forma superficial o que é o Complexo do Ver-O-Peso (denominação mais recente), ou simplesmente Ver-O-Peso, como é popularmente conhecido. Cabe então neste processo, destrinchar inicialmente o termo complexo. No dicionário Aurélio é possível encontrar algumas respostas: 1) Que abrange ou encerra muitos elementos ou partes; 2) Observável sob diferentes aspectos; 3) Confuso, complicado, intrincado.

Todas as significações encontradas no dicionário são extremamente relevantes quanto ao que representa e quanto ao que é o Complexo do Ver-O-Peso, o todo, o complexo arquitetônico que é intrincado como vimos, também observável sob diferentes aspectos, sobretudo por ser divido em partes, ou como chamo, “os lugares” do Ver-O-Peso. Surge então a necessidade de identificarmos como são estes lugares e como são os espaços, reconhecendo as diferenças e semelhanaças entre lugar e espaço. Existem autores que consideram lugar e espaço “inseparáveis” e outros, como coisas dinstintas. Merleau Ponty entendia lugar e espaço como coisas distintas, o que delimita um campo, determinado pela experiência e relação com o mundo; no sonho e na percepção. A perpesctiva então é determinada por uma “fenomenologia” do existir no mundo.

Também Michel de Certeau (2008), “aprimorando” as idéias de Merleau-Ponty, nos aponta tal diferença, afirmando que um lugar é como uma configuração instantânea de posição, implica uma indicação de estabilidade e o espaço é um lugar praticado sendo que incessantemente os “habitantes” estão a todo instante tranformando lugares em espaços e espaços em lugares, já que são “inseparáveis” como afirma Tuan (1983): “O espaço e o lugar são inseparáveis porque ambos se configuram, neste caso, como fenômenos humanos. Portanto, desempenham importante papel na conformação das paisagens”. É aí que faço um paralelo com meu tema, pois todos os eventos que acontecem no Ver-O-Peso, sejam eles antropológicos, imagéticos ou sonoros, só acontecem devido a quantidade de pessoas que por lá circulam.
Michel de Certeau diz que as paisagens surgem como espaços privilegiados onde o processo histórico se efetua enquanto devir humano no tempo. Nos termos Certeau (2008) seria um “lugar praticado” no qual os homens atuam cotidianamente. Isto é, entre espaço e lugar, Certeau coloca uma distinção, que delimitará um campo:

Um lugar é uma ordem (seja qual for) segundo a qual se distribuem elementos nas relações de coexistência. Aí se acha portanto excluída a possibilidade, pra duas coisas, de ocuparem o mesmo lugar. Aí impera a lei do “próprio: os elementos considerados se acham uns ao lado dos outros, cada um situado num lugar “próprio” e distinto que define. (CERTEAU, 2008: 201)

O espaço é o cruzamento de móveis. É de certo modo animado pelo conjunto dos movimentos que aí se desdobram. Espaço é o efeito produzido pelas operações que o orientam, o circunstanciam, o temporalizam e o levam a funcionar em unidade polivalente de programas conflituais ou de proximidades contratuais. (Ibid. p. 202)


Refletindo sobre essa distinção, elaboro algumas interrogações sobre o espaço para uma comparação/reflexão de acordo com as ideias tratadas até aqui com a realidade do Ver-O-Peso. Que relação os trabalhadores, freqüentadores e passantes do Ver-O-Peso têm com este lugar? A que vínculos sociais estão ligados? Que possibilidades podem experimentar na relação com o lugar?
Por trás do sentimento de ligação entre um povo e sua cidade, o povo e seu lugar, espaço onde o mundo social não só acontece, mas é determinado por ele, pois é nessa relação entre espaço e sociabilidade que torna-se possível pertencer, determinado pelo lugar, onde as coisas se tornam possíveis. SILVEIRA (2009) parece complementar as idéias até aqui discutidas e vai um pouco além revelando-nos que:

Os significados atribuídos aos lugares revelam vínculos simbólico-afetivos que podem estar relacionados com a ordem do sagrado (dados na relação entre o divino natural e o divino social), práticas econômicas ligadas a certos arranjos técnico-culturais (administrando e manejando coletivamente o ambiente), bem como às formas de sociabilidade, dentre as quais o lúdico e a contemplação refletiriam, simbolicamente, a possibilidade de experimentar esteticamente a relação com o lugar. (p. 77-78)
Daí para situar-nos sobre o cotidiano do Ver-O-Peso, a idéia de cotidiano conforme Certeau (2008) é fundamental para compreender meu campo e consequentemente, meu processo de criação:
"O cotidiano é aquilo que nos é dado cada dia (ou que nos cabe em partilha), nos pressiona dia após dia, nos oprime, pois existe uma opressão do presente. Todo dia, pela manhã, aquilo que assumimos ao despertar, é o peso da vida, a dificuldade de viver, ou de viver nesta ou noutra condição, com esta fadiga, com este desejo. O cotidiano é aquilo que nos prende intimamente, a partir do interior. É uma história a meio-caminho de nós mesmos, quase que retirada, às vezes velada. Não se deve esquecer este “mundo memória”, segundo a expressão de Péguy. É um mundo que amamos profundamente, memória olfativa, memória dos lugares da infância, memória do corpo, dos gestos da infância, dos prazeres. Talvez não seja inútil sublinhar a importância do domínio desta história “irracional”, ou desta “não-história, como diz ainda A. Dupront. O que interessa ao historiador do cotidiano é o Invisível...”

O estudo do cotidiano ainda é muito recente, a academia por anos desprezou a vida cotidiana, SOUZA (2000) cita autores de diferentes vertentes do cotidiano:

O campo da sociologia da vida cotidiana é recente e possui origens diferentes. Alguns autores o identificam como um espaço da pós-modernidade (Featherstone 1995), do pluralismo, do abandono às narrativas totalizantes. Para Tedesco (1999) há um revalorizar do interesse sociológico pela vida cotidiana mediado pelo senso comum, talvez como forma de respostas, de esperança no homem e não na história, frente às falsas promessas de redenção de liberdade e de igualdade nunca realizadas. (p.18)

Agnes Heller escreve que “a vida cotidiana não está ‘fora’ da história, mas no ‘centro’ do acontecer histórico: é a verdadeira ‘essência’ da substância social”. Para tornar esta idéia mais clara, Heller argumenta que “as grandes ações não cotidianas que são contadas nos livros de história partem da vida cotidiana e a ela retornam”. Toda grande façanha histórica concreta torna-se particular e histórica precisamente graças a seu posterior efeito na cotidianidade:

“As grandes ações não-cotidianas que são contadas nos livros de história partem da vida cotidiana e a ela retornam. Toda grande façanha histórica concreta torna-se particular e histórica concreta torna-se particular e histórica precisamente graças a seu efeito na cotidianidade. O que se assimila a cotidianidade de sua época assimila também, com isso, o passado da humanidade, embora tal assimilação possa não ser consciente, mas apenas em si” (apud, SOUZA 2000: 26)


Aqui vemos dois momentos de cotidiano no Ver-O-Peso:



Trabalhadores da “Pedra” e seu entorno sonoro
(Arquivo Pessoal)

Trabalhadores da feira do Açaí

Viva o Ver-O-Peso! Viva Belém do Pará! 394 anos de imagens e sonoridades!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os 50 maiores vídeos de arte no YouTube

YouTube é mais conhecido por seus vídeos offbeat que se tornam sensações virais.
Mas entre seus milhões de clipes é um tesouro de raras e fascinantes filmagens artísticas, amorosamente enviado por fãs.
Ajesh Patalay (foto), "pusblish" do The Guardian seleciona 50 dos melhores.
Algumas pérolas: estréia na TV do Joy Division, leituras por Jack Kerouac, um Marlene Dietrich, primeira apresentação de Madonna ... e muito mais... ...muito mais mesmo...

Vale um clique, aqui.

domingo, 4 de outubro de 2009

Gracias a La Vida! Gracias Mercedes!


Em mim deixa saudades, sabendo que Mercedes Sosa é uma mulher evoluída espiritualmente. Um espírito bom que usou o dom maravilhoso de cantar com sua voz carismática e arrepiante. Quando ouvimos Mercedes sentimos algo muito bom. Um sentimento de união. Um sentimento de unidade, de pertencimento.

Pertenço a um continente abençoado, por sua exuberante natureza, por sua fraterna comunidade. E abençoados somos por termos o privilégio de nascermos e vivermos nossas vidas em uma região onde viveram e vivem pessoas iluminadas que claramente percebemos que cumprem uma missão. Certamente Mercedes Sosa, nesta vida de cantora cumpre, com honra. Espírito Iluminado. Gracias a La vida Mercedes Sosa.
Na letra de "Solo le Pido a Dios (Eu Só peço a Deus)" que diz assim:"Que a morte não me encontre um dia Solitário sem ter feito o q’eu queria".
Sinto que Mercedes pôde nesta vida fazer o que quis fazer. Pela sua alegria, pelo seu sorriso, pelo seu entusiasmo e esperança em mundo melhor, mais Unido como percebemos nesta canção.

Canção con Todos



Sempre temos uma predileta e a minha é desde sempre "Solo le Pido a Dios (Eu Só peço a Deus)"
que convido-te a ler a letra e refletir, refletir.
Por isto nesta não colocarei em anexo o vídeo.
Penso que vale ir atrás desta música e ouvir.

"Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o q’eu queria

Eu só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a morte não me encontre um dia
Solitário sem ter feito o que eu queria

Eu só peço a Deus
Que a injustiça não me seja indiferente
Pois não posso dar a outra face
Se já fui machucada brutalmente

Eu só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda fome e inocência dessa gente

Eu só peço a Deus
Que a mentira não me seja indiferente
Se um só traidor tem mais poder que um povo
Que este povo não o esqueça facilmente

Eu só peço a Deus
Que o futuro não me seja indiferente
Sem ter que fugir desenganando
Pra viver uma cultura diferente"

Agradecido a Mercedes por tudo o que pode fazer nesta vida e em todas as que hão de vir. Cantando com maestria pela libertação - num sentido mais amplo da palavra - dos povos da América Latina.
Gracias a La Vida! Gracias Mercedes!



Gracias!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Carta a um jovem poeta

Uma leitora do Blog muito querida, tão querida que vive comigo há dez anos. Enviou-me esta carta de Rilke para ser postada. A idéia é refletir comparando a prática poética e a prática docente. Boa Leitura, boa reflexão. Tereza, muito grato por tudo, penso que os leitores irão gostar...



Rilke, “Cartas a Um Jovem Poeta”, primeira carta, de 7 de Fevereiro de 1903)
“O senhor envia os seus versos às revistas literárias, compara-os com outros versos, e sente-se inquieto quando algumas redacções recusam os seus ensaios poéticos. Pois bem, já que me permite aconselhá-lo, devo exortá-lo a renunciar a tudo isso. O senhor está olhando para fora, e é justamente isso o que não deveria fazer neste momento. Ninguém o pode aconselhar ou ajudar. Ninguém... Não há senão um caminho: procure entrar em si mesmo. Esquadrinhe o seu íntimo até descobrir o motivo que o impele a escrever. Procure saber se esse motivo mergulha as suas raízes até ao mais fundo da sua alma. E, procedendo à sua própria confissão, interrogue-se se morreria se lhe fosse vedado escrever? Diante de tudo isto, pergunte a si mesmo na hora mais calada da sua noite: "Devo eu escrever?” Escave e aprofunde dentro de si uma resposta. Se for afirmativa, se puder responder àquela pergunta tão séria com um firme e simples: "Sim, devo!"; então, erga o edifício da sua vida de acordo com esta necessidade. A sua vida, até na sua hora mais indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o testemunho desse impulso. Aproxime-se então da natureza, e tente dizer, quase como se fosse o primeiro homem, o que vê e sente, ama e perde. Não escreva, evite escrever, versos de amor. Nos seus primeiros passos, subtraia-se a formas e temas demasiado correntes, porque são os mais difíceis; já que é necessária uma grande dose de força e maturidade para poder contribuir com algo de si num domínio onde já existem uma infinidade de bons legados, alguns deles brilhantes. Por isso, livre-se dos motivos de índole geral. Recorra aos que em cada dia lhe oferece a sua vida. Descreva as suas tristezas e anseios, os seus pensamentos fugazes e a sua crença em algo de belo; e exponha-o por completo com uma sinceridade íntima e humilde. Utilize, para o exprimir, as coisas que o rodeiam. E as imagens que povoam os seus sonhos. E tudo quanto vive na sua memória. E se o seu quotidiano lhe parecer pobre e sem interesse, culpe-se a si mesmo, por não ser suficientemente poeta para conseguir descobrir e desvelar as suas riquezas. Porque, para um espírito criador, não há pobreza, nem tampouco lugar algum que lhe pareça pobre ou indiferente. E mesmo que você se encontrasse num cárcere, cujas paredes abafassem todo e qualquer eco do mundo exterior, ainda assim você teria consigo a sua infância, essa infância que encerra uma riqueza preciosa e digna de reis, um camarim onde estão refundidos os tesouros da memória. Volte a sua atenção para ela e procure fazer ressurgir as imensas sensações desse vasto passado. Assim, verá como a sua personalidade se afirma, como se expande a sua solidão, convertendo-se numa remansosa morada de penumbra enquanto ecoam num sussurro longínquo as vozes e os ruídos das outras pessoas. E, se deste mergulhar em si mesmo, deste submergir-se no seu próprio mundo, nascerem prontamente alguns versos, então, não sentirá qualquer necessidade de perguntar a alguém se eles são bons”.



Conselhos Sábios de Rainer Maria Rilke que atravessam os tempos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Brilhante texto para Walter Bandeira (Por Edson Farias)



O DIA EM QUE WALTER ...
O enfant terrible resolveu roubar um par de asas! - alguém gritou a notícia via iphone.
Que desespero!
As imagens logo fragmentárias se configuraram na retina do ouvinte perplexo:
“Não quero asas de penas apenas, penas são para aves pobres, a estrela aqui é luxo só... agora serei anjo e que venham os paetês e lamês angélicos”.
O fato ocorreu assim que apagou o último cigarro, havia dado o último trago, assim mesmo com cacófato e tudo, quando resolveu dar uma espiadela nos amigos reunidos longe da cama do Porto Dias. Riu-se o solteirão quando notou a evocação do Pai Nosso em meio a turma bagunceira dos meios do teatro, da dança, da música e do visual.
Que engraçado, jamais se viu um fato provocar uma oração e romper a pauta daquela
congregação.
Walter então se pegou e viu que ninguém o notara, por detrás da porta, apesar de sua
gargalhada de estúdio. A sua anti-presença súbita no grupo de colegas fez com que alguns se emocionassem e compusessem uma rima ao céu, reverente e antes das duas, a pingar suas gotas.
Disse: “fuiii!!!?”
“Bom, não restam dúvidas, agora tenho asas, estou até mais leve... quero ir até o Pedroca,assim, cintilante, feito Sininho a batizar esse meu verde que nunca deixei. E todos esses brilhos são teus paras e matas!”
Um outro desespero se fez lá em cima.
Já não bastasse, a Sobral, o Rui, O Costinha e a Dercy, agora o céu recebia Walter Bandeira.
Isso mesmo!
“Querubins”, gritou Pedro, “mais tampões de ouvidos pro pessoal!”
Que nada, ninguém obedeceu e nem se importava com a irreverência do novo hóspede.
Todos queriam ver e ouvir a voz da amazônia, glamourosa como quê a cantar
New heaven... new heaven theme from..
Ah, o Walter é ótimo!
O Walter é único, sabe né?.. dizem por aqui que ele veio alegrar a entrada da turma do AirFrance...
Tá certo, cheguem pra lá! Agora ele vai cantar.
Silêncio!
Uma eterna nota inacústica cortou o vazio.
Um sorriso maroto pintou as nuvens de prata, enquanto uma piscadela safada imprimia
saudades no peito de quem um dia se encantou por aquela voz...
Voz-glamour, voz de aço e de veludo...
Finalmente, após o arroubo infortúnio a voz brilhada se libertara das amarras da carne apoucada.
A voz mudou-se!
Mudou-se para sempre, para sempre gravada nas lembranças dos CDs que sempre se lançarão
dos ouvidos aos corações daqueles que sempre apreciaram teus vôos, mesmo que sem asas.
Menino Walter, hei, te aquieta... vai agora descansar um pouco, mas não te esqueças de dar nossas lembranças ao menino, homem Jesus...
E não se esqueça de dizer para a mãe dele que rogue por nós, amém.
Adeus!
Edison Farias

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Foi Assim... Morre Walter Bandeira


Foi assim... quando vimos no jornal a primeira notícia de que Walter estava internado na UTI, já sabíamos que teríamos poucas chances de vê-lo novamente cantar. Que "vozerão". Inesquecível, inconfundível. Figuraça, extrovertido, e de bem com a vida. Vida que tem como rito de passagem para outro plano, a morte, que faz parte da vida. Assim sempre foi. Foi assim...
Fica nosso agradecimento e reconhecimento por tudo que o que produziu e fez para a cultura paraense. Nossas homenagens a este multi-homem-artista

domingo, 3 de maio de 2009

Romantismo


Em Cd, não temos o mesmo romantismo na hora de selecionar músicas e gravar para dar de presente.